Crônica de um futuro foca

Este blog sempre esteve, e sempre estará, aberto para toda a comunidade dos Futuros Focas (alunos, professores etc). Como o fim do ano se aproxima, este blog conta agora uma crônica de um Futuro Foca, que descobriu nas amizades de apenas um ano o desejo da carreira jornalística.







Inesquecível

Era o dia 9, do mês de fevereiro. Sol claro, horário de verão chegando ao fim. Poucas pessoas, apenas calouros, inexperientes, curiosos. A sala 1 do bloco 3 era a escolhida. Aos poucos, os primeiros se achegaram, tímidos, indiferentes aos demais, grudados nas paredes externas, ouvindo apenas um aluno que já havia passado por aquilo tudo, rindo, gargalhando. Aos poucos, foram sentando, aguardando ansiosamente o primeiro: um professor sério, que muitos deixou apreensivos. Na sequência, a coordenadora, chefe de uma rápida excursão ao ambiente. Rápida mesmo: a biblioteca e a rádio estavam fechadas. No dia seguinte, um pouco mais relaxados, depararam-se com um sorteio de livros, uma exposição no retroprojetor. Os meses que se seguiram caracterizaram o 1º Jor: muita bagunça, muitos alunos. As primeiras provas, enfim, se foram, levando consigo diversos candidatos. Aos poucos, a sala foi reduzindo-se, havia computadores para todos e um novo blog, um meio de comunicação interna. Mas 2009 ainda reservava para estes Futuros Focas muito mais. Reservava a disposição de muito tempo na biblioteca, nos terminais de internet à lenha, na correria pelos livros solicitados. Reservava a apreensão por cada prova que se seguia, a tristeza por cada amigo que desistia, o humor por cada pérola lançada, que rapidamente convertia-se em "frase do dia". Em meio a leitura extraterrestre de Foucault's e admiráveis mundos novos, em meio a reportagens profissionais, em meio a entrevistas, debates, seminários, discussões acaloradas, um violão azul roubava a cena nas mãos de professores. Festas de aniversários, de despedidas, orkut's cada dia mais repletos de fotos: não houve quem não se irritasse ao receber um boletim da Fenaj em seu e-mail. Passaram-se centenas de folhas xerocadas e dezenas de negativos revelados pelas mãos da turma. Permearam as ideias marxistas, gramscinianas, frankfurtinianas, as dúvidas da idade, os Traquinas e Josés Marques de Melo, os resumos das aulas, os slides e as aulas expositivas. Ao final, ficou na mente dos Futuros Focas o desejo de mais um ano de aprendizado; no coração, a saudade dos que deixaram o curso; nas palavras, a vontade de dizer que não aceita trabalhos em grupos; na memória, um ano inesquecível, de imensuráveis palavras, incontáveis amizades e inesquecíveis momentos.

João Paulo Pugin

1 Response to "Crônica de um futuro foca"

  1. Gustavo Lemos
    2/10/2010

    Muito bom JP! Quero ver mais crônicas hein?!
    Abração

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